sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MARIA E O PERIODO GESTATIVO DE JESUS

O SUBLIME PEREGRINO

DÉCIMA SEGUNDA PARTE

MARIA E O PERIODO GESTATIVO DE JESUS

PERGUNTA:- Maria viveu o período gestativo de Jesus à semelhança das outras mulheres?

RAMATÍS:- Sem dúvida, pois não houve nada de anormal quanto aos aspectos comuns do fenômeno da gestação humana. Aliás, comparada à maioria das gestantes terrenas, em geral assediadas por certas reações psíquicas um tanto agitadas, Maria foi uma parturiente feliz, vivendo esse período imersa num mar de sonhos e de emoções celestiais provindas tanto do espírito de Jesus, como da presença dos anjos que o assistiam.

PERGUNTA:- As emoções psíquicas de Maria, devido à presença de Jesus em sua ligação carnal, não se refletiam também em José, o qual, como pai, era um escolhido pelo Alto para desempenhar tal missão?

RAMATÍS:- José, às vezes, temia certo desequilíbrio psíquico de Maria, procurando mesmo dissuadi-la de suas idéias sublimes, mas fantasiosas, considerando-as resultantes da fase delicada da gestação. Homem prático, realista e pouco dado a reflexões transcendentes, jamais admitiria ser merecedor de uma graça tão elevada, quanto à convicção de sua esposa, de gerar um filho genial ou iluminado Espírito missionário destinado a salvar o povo de Israel ou a redimir a humanidade. (“E conceberás em teu ventre e darás à luz um filho a quem chamarás Jesus. Este será grande e será chamado o Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará no futuro sobre a casa de Jacó e seu reino não terá fim.”) - Lucas, I, VS 31 a 33.

Sendo bem grande a diferença existente entre o “reino de Deus” e o reino dos homens, José já se sentiria bastante venturoso, caso o Senhor lhe enviasse um filho de bons costumes, laborioso, obediente às leis do Torá e capaz de, mais tarde, ajudá-lo na oficina de carpintaria. Talvez se tornasse um rabi e intérprete dos ensinamentos de Moisés; quiçá, um modesto terapeuta ou discípulo externo da congregação silenciosa dos Essênios, que se disseminavam pacificamente pelos montes da Judéia, da Arábia, da Pérsia e da Índia.

José era um homem de costumes regrados, frugal à mesa e avesso aos vícios e às paixões inferiores. Alimentava-se comumente de frutas, vegetais, cereais e disciplinava a família sob as normas da educação essênica, que aprendera com os anciães do Monte Moab. Não descria da reencarnação e conhecia a Lei de Causa e Efeito quanto à sua responsabilidade moral; mas ignorava os elos intermediários da verdadeira hierarquia espiritual, considerando Jeová e seus anjos uma classe de seres à parte, que deveriam morar distante das torpezas humanas e sem descer à humilhação de habitar um lar tão modesto quanto o seu. José ainda se considerava grande pecador, por isso, a visita assídua de um anjo, em sua casa, conforme lhe assegurava Maria, deveria ser fruto de sua imaginação e sensibilidade espiritual. Ouvia as estranhas revelações de sua esposa, mas disfarçava, tanto quanto possível, a sua incredulidade, quando ela lhe falava do seu anjo de guarda resplandecente e do destino glorioso de seu futuro filho! Deliciava-se com a alegria da maternidade da companheira feliz, ouvia-lhe as cogitações sublimes, as quais atribuía à esperança de toda mãe jovem em sempre gerar um filho talentoso, destinado às glórias e aos louvores. José ignorava, no entanto, que Maria em ligação ao seu regaço materno, o qual lhe transmitia emoções angélicas, fazendo-a um prolongamento vivo do seu glorioso Espírito.

PERGUNTA:- Apreciaríamos saber se, além da elevada emotividade espiritual despertada pela presença do Espírito de Jesus e seus anjos, Maria também revelou alguns dos fenômenos peculiares às gestantes terrenas?

RAMATÍS:- Cumprindo o ciclo fisiológico da gestação, do corpo de Jesus, Maria também viveu os fenômenos próprios de certas parturientes, tais como a depressão sanguínea, o incômodo respiratório e a fadiga devido à nutrição de mais uma vida em seu seio. Até os “desejos excêntricos”, manifestos comumente nas gestantes, ela os revelou algumas vezes. No entanto a presença do sublime Jesus sensibilizou de tal modo o seu sistema endocrínico, que Maria passou a sentir profunda repugnância por qualquer alimento carnívoro e seus derivados. O paladar apurou-se e a sua preferência era por alimentos delicados, como pãezinhos de centeio com mel de figo, sucos de frutas e de cerejas, que coincidiu do Mestre Jesus também preferir em sua vida terrena.

As suas amigas e vizinhas esmeravam-se em atender-lhe o gosto nutritivo, procurando até frutas “fora do tempo”, para fazerem os gostosos xaropes e caldos das polpas frutíferas.

PERGUNTA:- Estranhamos que o Espírito de Jesus, antes de encarnar-se, já despertasse em sua genitora essa tendência particular por uma alimentação a base de pães de mel, sucos de frutas ou caldo de cerejas, e a repugnância pela carne. Desde que ele ainda não despertara na carne, como poderia sugerir a Maria o desejo por iguarias de sua futura preferência?

RAMATÍS:- Entrando em contato novamente com a carne, Jesus passou a evocar psiquicamente aas reminiscências de suas existências já vividas no orbe. Como se tratava de espírito de alta estirpe sideral, ele sempre viveu na Terra, de modo simples, frugal, avesso à carne e nutrindo-se com aas mais delicadas dádivas da Natureza, incutindo bons estímulos sobre o psiquismo de Maria e sugerindo-lhe alimentos sadios e delicados, como ele realmente os preferia toda vez que se manifestava na matéria, pois condiziam eletivamente com sua natureza superior.

Os gostos e as preferências que haviam sido habituais a Jesus nas últimas existências terrenas, transformaram-se em evocações a convergir para o psiquismo de Maria, sua futura mãe, despertando-lhe reações químicas no sistema endócrino e sugerindo “desejos” por alimentos sadios, como vegetais, frutos, sucos e pãezinhos com mel e figo. (Em nossa família ocorreu um caso que justifica as asserções de Ramatís. S.L.F., nossa parenta, quando grávida de seu segundo filho, passou a detestar a carne que tanto apreciava, manifestando repugnância instintiva e violenta ao simples olfato de alimentos carnívoros. Passou a nutrir-se quase que exclusivamente de arroz e saladas, deixando os seus familiares receosos de uma anemia em fase tão delicada, os quais não puderam demovê-la dessa alimentação. Finalmente, nasceu-lhe o filho, o qual, apesar de descender de pais brasileiros, tem a fisionomia exata de um indo-chinês, avesso a qualquer tipo de carnes ou derivados e se alimentando com arroz e ovos. Hoje, moço de 22 anos, é admirador das músicas do Oriente, principalmente a ópera “Turandot”, de Puccini, cujo enredo e musicalidade se passam na Indochina, terra de Ramatís. Aliás, mais tarde, soubemos que Le fora realmente dançarino de cerimonial religioso num pagode da China, na divisa com a Índia.

Sob a lei de correspondência vibratória espiritual, o corpo carnal de Maria tornou-se a tela o revelador do psiquismo delicado de Jesus; e asa impressões psíquicas dele ativaram-lhe os estímulos físicos, despertando-lhe o gosto por alimentos de natureza superior; e a sua condição de espírito angélico provocou seu repúdio à carne. As recordações associam idéias e despertam desejos conforme sejam as evocações feitas pela mente humana. As crianças, por exemplo, aceleram o seu metabolismo endócrino e produzem sucos digestivos adequados ao consumo de chocolate à simples aproximação ou mesmo lembrança das festas de Páscoa. Tratando-se da tradicional festa dos “ovos de coelhinho” feitos de chocolate, elas associam na sua mente as imagens dos bombons, que estimulam o organismo na produção de sucos e hormônios próprios para digerirem essa substância, tal qual acontece à perspectiva de algum aniversário na família, na antevisão das prováveis gulodices “pensadas” pelos seus participantes e convidados.

Os “sujets” que são hipnotizados e regridem até à infância por força sugestiva dos hipnotizadores, costumam recusar alimentos ou iguarias que também não apreciavam e não suportavam no período infantil. Esse regresso do “sujet” hipnotizado, às vezes, até à condição de latente, torna-se algo divertido, porque ele recusa alimentos próprios dos adultos, mas se satisfaz com o leite e seus derivados. Em verdade, as sugestões impostas ao “sujet” pela vontade do hipnotizador, convence-o de ser criança tenra; e então a mente instintiva frena o trabalho do sistema endócrino e reduz a produção dos sucos gástricos e digestivos, que não sejam adequados à alimentação à base de leite.

Eis por que durante a composição do seu organismo etéreo-físico, Jesus também associou os elementos e as substâncias do mundo material de que já se havia servido no pretérito, projetando, então, na mente de sua futura mãe as imagens nutritivas simpáticas e familiares à sua preferência. Aliás, eram alimentos que condiziam também com a contextura espiritual de Maria, embora ela estivesse familiarizada com uma nutrição mais pesada.

PERGUNTA:- Poderíeis dizer-nos se todos os desejos extravagantes tão comuns a certas gestantes são provocados exclusivamente pelos espíritos em processo encarnatório?

RAMATÍS:- Repetimos: em qualquer manifestação da Vida não há regra sem exceção. Em conseqüência, nem todas as mães revelam desejo0s insólitos ou excêntricos durante a fase de gestação de seus filhos; nem todos os desejos manifestos nessa fase tão delicada provêm do espírito em encarnação.

A gravidez acentua a sensibilidade da mulher e ela também pode evocar no subconsciente os próprios gostos nutritivos e desejos da infância esquecida, ou mesmo preferências por certas guloseimas e frutos raros, que estimulam “desejos excêntricos” e manifestos fora de época. Porém, a maioria dos desejos extemporâneos da mulher no período gestativo, são realmente provocados pelos espíritos, que se ligam ao ventre materno durante a sua encarnação. No entanto as almas sublimes elevam e apuram a sensibilidade psíquica de sua futura genitora ao transmitirem-lhe impressões sadias e reflexões nobres. Certos espíritos, como os iogas ou líderes espiritualistas do Oriente, que foram no pretérito absolutamente vegetarianos, quando reencarnam novamente na Terra, despertam em suas mães desejos por certas frutas como tâmaras, azeitonas, figos, vegetais e sucos delicados, que eram de sua preferência no passado. Mas as almas torpes e infelizes, além de semearem idéias lúbricas e conturbadas em suas genitoras, também lhes fazem preferir alimentos incompatíveis com sua índole habitual.

Jesus, espírito angélico, influenciava sua mãe para uma alimentação sadia, frugal e à base de frutas e sucos de vegetais; no entanto Nero, Tamerlão, Rasputin ou Héliogábalo, ao renascerem na carne estimularam suas genitoras para a sua alimentação carnívora repulsiva, impregnadas de álcool ou fortes condimentos. Enquanto o espírito formoso de Maria deu vida a Jesus, Cordeiro de Deus, Agripina gerou Nero, alma cruel e degradada em sua época; fato que nos comprova a perfeita sintonia da lei de afinidade espiritual.

PERGUNTA:- Poderíeis exemplificar-nos esses casos de modo mais objetivo?

RAMATÍS:- Suponde que certo espírito oriundo da Índia e em processo de encarnação no Ocidente, vegetariano absoluto em vidas pretéritas, transmite suas impressões psíquicas sobre a mente de sua futura mãe, despertando-lhe desejos por algo que ele apreciava, mas que não existe aonde irá se encarnar. Então, neste caso, certas parturientes manifestam desejos por guloseimas, frutas ou alimentos que elas mesmas não sabem explicar-lhes a forma, o sabor e a qualidade, porque apenas refletem os estímulos só conhecidos do espírito encarnante.

Há frutas, no Ocidente e no Oriente, que apensar da semelhança na forma são diferentes no seu sabor, mas diferem profundamente no caldo, na polpa ou na configuração vegetal. Quem poderá transmitir a outra criatura o gosto exato do morango ou da jaboticaba, caso ela nunca os tenha visto ou experimentado?

(NOTA DO MÉDIUM:- O caso da nossa parenta S.L.F., citado anteriormente, ajuda a clarear mais esses dizeres de Ramatís, pois durante a gestação do seu filho que descrevemos e hoje tem 22 anos, ela desejou a todo transe comer uvas, em época quase imprópria. Com muito custo seu esposo conseguiu-lhe algumas espécies de uvas obtidas nos frigoríficos de Curitiba; mas, para seu espanto, nenhum tipo de uva a deixava satisfeita. E o caso parecia insolúvel, quando um nosso amigo estudioso do Oriente, teve excelente intuição, certo de que S.L.F. tinha desejos de comer “uvas japonesas”, isto é, frutas miúdas, que dão em cachos pequenos, mais nos arvoredos e cujo sabor lembra algo da ameixa amarela. Realmente, nossa cunhada deu-se por satisfeita com as uvas japonesas e conforme já dissemos anteriormente, embora o seu filho descendo de brasileiros e europeus, ele é o tipo exato de um indochinês, devoto das músicas japonesas, hindus e chinesas, além de ser absolutamente vegetariano.

Eis por que a mãe que é vegetariana sente-se aflita se durante a gestação do seu futuro filho se lhe despertam desejos carnívoros; ou então outra se surpreende ao verificar que passa a detestar a carne a preferir a nutrição de frutas e vegetais. A verdade é que o corpo carnal da mulher na fase gestativa se transforma em convergência e na revelação dos desejos e das preferências da alma encarnante, que se esforça para impor o seu comando instintivo desde o primeiro contato com a matéria.

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